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Uma nova direção para os debates sobre educação

  • Foto do escritor: Bruno Anicet Bittencourt
    Bruno Anicet Bittencourt
  • 5 de fev. de 2024
  • 2 min de leitura

O debate sobre a qualidade da educação está cada vez mais em pauta. Independentemente dos pontos de vista, chegamos ao consenso de precisamos de mudanças significativas no nosso modelo educacional. Entendemos que as lacunas do nosso sistema passam a ser problemas não só dos governantes, mas sim, de toda a sociedade.


Contudo, as discussões sobre educação partem, normalmente, do mesmo ponto: os indicadores de aprendizagem. Os dados preocupantes sobre os baixos níveis de proficiência de português e matemática dos estudantes são os que norteiam as mudanças de currículo e as políticas públicas. Estamos focados em resolver esse desafio.


O ponto é que a busca pela melhoria dos indicadores de aprendizagem está nos deixando míopes sobre um debate ainda maior: o que é uma educação de qualidade? Será que esses indicadores são as únicas evidências? Se atingirmos melhores indicadores de aprendizagem, teremos uma educação que prepare para resolver os problemas ambientais, sociais e econômicos que estamos enfrentando? Nós acreditamos que não.


O Professor Joel Westheimer na sua palestra em Porto Alegre em 2023 disse que “dado que não conseguimos mensurar as coisas com as quais realmente nos importamos, começamos a nos importar com coisas que conseguimos medir.” Acreditamos nesta afirmação e precisamos inverter esta lógica.


Nós defendemos uma mudança de mentalidade sobre o papel da educação e o propósito dos espaços de ensino e aprendizagem. Acreditamos numa educação integral focada na inteligência humana e nas habilidades humanísticas. Ou seja, uma educação que prepare cidadãos para lidarem com problemas globais, gerarem impacto positivo no seu contexto e viverem sustentavelmente em sociedade.


Já tivemos importantes avanços nesse sentido. Reconhecemos coletivamente a importância de avançar de um processo de entrega de conteúdo para um processo de construção de competências. Embora ainda não seja uma realidade universal, esse é um caminho importante para uma transformação sistêmica e efetiva: os conteúdos mudam, se transformam, mas a competência de saber aprender, por exemplo, nos permite reconstruir conhecimentos a partir das mudanças na realidade que vivemos.


O foco passa ser que indivíduos queremos formar e em que sociedade queremos viver, em vez de “qual nota queremos atingir”. Assim, pode-se trazer uma nova perspectiva para educação e para o seu papel na transformação do mundo. Um modelo que preconiza a experiência para além das provas; o afeto para além da disciplina, as competências para além do conteúdo e a formação do cidadão para além da formação do estudante. Reforça o que “realmente importa, mesmo que não consigamos mensurar”.


O debate sobre educação precisa ir nessa direção. Precisamos de uma discussão mais profunda e reflexiva sobre nosso sistema e sobre a visão de futuro que temos como sociedade. Assim poderemos avançar nas evidencias mais importantes em termos de educação: a diminuição da desigualdade social, a preservação ambiental e a equidade de oportunidades. Estes podem ser indicadores reais de que estamos no caminho certo.

 
 
 

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