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Autenticidade: Um Atalho para o Sucesso ou para o Abismo?

  • Foto do escritor: Bruno Anicet Bittencourt
    Bruno Anicet Bittencourt
  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura

Este fim de semana, mergulhei em dois mundos opostos, mas curiosamente convergentes. Assisti ao documentário dos Mamonas Assassinas e ao filme sobre a vida de Amy Winehouse. Foi um soco na alma. Ambos os artistas tinham algo em comum: uma autenticidade tão avassaladora que se tornou irresistível. Eram ícones de um estilo de vida que desafiava expectativas e, ironicamente, conquistava corações.


Os Mamonas, com suas letras irreverentes, cantavam como quem brinca; Amy, com sua voz rasgada, fazia do jazz uma confissão. Nenhum deles seguiu manuais de comportamento ou as exigências do mercado. Eles seguiam apenas a si mesmos. E quanto mais se conectavam com suas verdades, mais brilhavam.


Mas essa reflexão também me levou a uma pergunta incômoda: por que admiramos tanto a autenticidade nos outros, mas temos tanta dificuldade em abraçá-la em nós mesmos? Talvez porque ser autêntico assusta. A vergonha e o medo nos sussurram que é mais seguro vestir a máscara. E se não gostarem de quem realmente somos? E se errarmos? E se…


Essas dúvidas não nascem do nada. São sementes plantadas desde cedo, regadas por uma educação que premia o comportamento padronizado. Criamos crianças para se encaixarem, não para se destacarem. Queremos que sigam regras, que atendam expectativas — não as delas, mas as nossas. É mais fácil conduzir um rebanho uniforme do que acolher indivíduos únicos.


E aí vem o choque: percebo que, como pai e educador, também perpetuo esse ciclo. Não por maldade, mas por inércia. Por medo de que meus filhos, ao se desviarem do padrão, enfrentem o mesmo julgamento que aprendi a temer.


Será que dá para quebrar esse ciclo?


Penso no que Ailton Krenak chama de “futuro ancestral”. Para os indígenas, criar uma criança é deixar emergir quem ela veio ser, sem interferir. Que conceito radical para nós, tão moldados pela norma. Talvez o problema não seja quem somos, mas o que nos fizeram acreditar que deveríamos ser.


No fundo, a pergunta que ecoa em mim é: quem eu viria a ser se não fosse o medo?


Os Mamonas diriam que a vida é uma festa: “Eu quero é me divertir”. Amy, mais sombria, cantaria: “You know I’m no good”. E eu, parado entre os extremos, me pergunto: viver é obedecer ou desafiar o ritmo imposto? Talvez o caminho esteja em desafinar o coro dos contentes e, como Amy e os Mamonas, encontrar a melodia única que só nós podemos criar.


Porque, no final, talvez a maior ousadia seja ser.

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