2024: o ano em que aprendi a parar
- Bruno Anicet Bittencourt
- 31 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Sempre fui alguém movido pela intensidade. Se surgisse uma oportunidade, eu a aproveitava. Se encontrava uma amizade, me entregava de corpo e alma. Conheci muitas pessoas, conquistei muitas coisas, mas, aos poucos, comecei a perceber que esse ritmo acelerado já não estava mais alinhado com a minha vida.
A chegada do meu filho foi o marco. O que antes parecia possível — conciliar trabalho, projetos, relacionamentos e ambições — começou a se mostrar insustentável. Nem mesmo o cargo de CEO de uma startup que formava jovens por todo o Brasil parecia se encaixar mais no meu dia a dia.
Uma amiga certa vez me disse que me via como um ratinho correndo numa rodinha. E, ao refletir sobre isso, percebi que, por muito tempo, estava apenas girando, sem realmente avançar. 2024, então, foi o ano em que tomei a decisão de parar essa roda. Descer dela. Foi o ano em que finalmente assumi as rédeas da minha vida — e, curiosamente, não se tratou de controle, mas de confiança. Confiar em mim, no processo e no fluxo da vida.
Eu testei essa confiança e me surpreendi com a resposta do universo. Não, não foi uma vida sem dificuldades ou desafios. Mas foi uma vida mais fluida, mais entregue. Foi a confiança que me levou a saber que estávamos esperando nosso segundo filho. Foi ela que me abriu portas para projetos incríveis em nível nacional e que me fez redescobrir talentos e paixões que eu havia deixado de lado.
Mas, além da confiança, 2024 me ofereceu outros três grandes presentes.
O primeiro foi aprender a priorizar. No começo, a sensação era de perda constante. Como se eu estivesse sempre deixando algo para trás. E, sim, eu estava perdendo. Mas, no fundo, estava ganhando algo muito maior: tempo para mim e para quem realmente importa. Priorizando a minha família, construímos memórias que levarei para sempre. Focar no que é essencial me permitiu nutrir as amizades mais verdadeiras e me engajar em projetos mais significativos. Cada escolha, cada renúncia, veio com uma consciência nova, mais leve, mais alegre.
O segundo presente foi a experiência. Comecei a me permitir mais. A me ouvir. A me conectar com os meus próprios desejos. Não foi fácil. Para quem, como eu, estava acostumado a ser um executivo, a sempre responder a expectativas externas, agradar o tempo inteiro, parar para se perguntar: “O que eu realmente quero?” foi um desafio. Mas foi nesse processo que eu me dei permissão para errar e acertar. E, nesse caminho, me reencontrei com antigos talentos e descobri novos interesses, como o prazer de escrever, o entusiasmo por viagens e até a criação de um podcast.
O terceiro e talvez mais poderoso aprendizado foi o de contemplar. A desaceleração me fez perceber a beleza dos momentos cotidianos. Aqueles que antes passavam despercebidos pela pressa, agora alimentam minha alma. Como ver minha esposa brincando com nosso filho e sentir a imensa paz que isso traz. Ou observar um aluno ou cliente se apropriar de um conteúdo que eu tive a honra de compartilhar. Esses momentos, que antes poderiam parecer pequenos, se tornaram imensos na sua simplicidade.
Se eu pudesse destilar 2024 em poucas palavras, diria que foi o ano da confiança, da priorização, da experimentação e da contemplação.
Hoje, vejo a vida de outra maneira. Não mais como uma sequência interminável de tarefas, mas como uma coletânea de experiências, ricas e densas. Parece sutil, mas é uma mudança profunda. Agora, consigo perceber a magia do presente, o valor das escolhas que fazemos a cada instante.
Eu aprendi que, quando paramos de correr, o que realmente importa começa a se revelar. E, com isso, vem a verdadeira liberdade.
Obrigado, 2024, por me mostrar que o mais valioso não está na velocidade, mas na intensidade do que somos capazes de viver, quando aprendemos a desacelerar.
E o que eu quero para 2025? Continuar explorando os caminhos que, ao sair do piloto automático, finalmente se tornaram visíveis. Caminhos que, antes, estariam escondidos pela pressa.



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