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Chega de Formação; Precisamos de Inconformação

  • Foto do escritor: Bruno Anicet Bittencourt
    Bruno Anicet Bittencourt
  • 28 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

O que é mais arriscado para a humanidade: um desastre climático ou uma sociedade que já não consegue pensar criticamente? No Global Risks Report deste ano, desinformação e informações distorcidas aparecem no topo dos maiores riscos para a próxima década. E o que me espanta é que esse risco parece sutil demais para ganhar atenção. Afinal, diariamente testemunhamos manchetes tendenciosas e notícias sem fonte compartilhadas como certezas, enquanto conversas rápidas nas redes sociais transformam boatos em verdades absolutas. Esse fenômeno pode parecer trivial, mas será que é mesmo inofensivo?


A verdade é que hoje, com um vídeo de 30 segundos no TikTok, qualquer um vira “especialista” em qualquer coisa. Entre mensagens de WhatsApp que não questionamos e respostas prontas de ferramentas como o ChatGPT, vamos acumulando informações como quem coleciona pacotes de figurinha. Não sou contra a tecnologia; longe disso! Mas a diferença entre consumir informação e desenvolver uma visão crítica sobre ela é imensa. E, talvez, seja uma distância que nossa educação formal nunca tenha sequer tentado cobrir.


Formamos? Sim. Formamos pessoas para memorizarem fatos, repetirem teorias, decorarem datas. Criamos até os “melhores alunos”, aqueles que sabem o que se espera que digam. Mas, e quando precisamos de alguém que conteste? Alguém que levante a mão e diga: “Mas será mesmo que é assim?” Na pressa de formar, esquecemos que precisamos dos inconformados, daqueles que vão além da superfície e querem compreender.


A consequência disso já está ao nosso redor: uma sociedade que não consegue distinguir fato de opinião, que vê qualquer texto impresso como verdade incontestável. A multiplicação de fake news é só um sintoma de uma doença mais profunda. E quando nossa população não sabe questionar, o efeito é um ciclo de alienação que fica cada vez mais difícil de quebrar.


Esse problema nasce na base. Em casa, na escola, no modelo educacional. Na sala de aula, cadeiras alinhadas e professores que transmitem conhecimento como em um teatro onde o público se mantém em silêncio e consente. Em casa, estamos preparados para deixar nossos filhos questionarem? Sabemos receber uma pergunta que desconstrua nossas certezas, ou vemos isso como desrespeito?


Uma sociedade sem visão crítica é uma sociedade cega para os próprios desafios — sociais, econômicos, ambientais. É como se estivéssemos navegando em direção a uma tempestade sem saber qual o norte. A sobrevivência da nossa espécie depende da habilidade de ver além do imediato, de enxergar o que não nos é servido pronto. A desinformação, o risco invisível, é o que mais ameaça a sociedade que somos e o futuro que desejamos.


O caminho? Chega de formação como um ponto de chegada. Que possamos, finalmente, valorizar o inconformismo como ponto de partida. Se quisermos mudar o curso, precisamos dos que pensam diferente, dos que se incomodam com o óbvio e buscam o que não está escrito.

 
 
 

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